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Citação bibliográfica

 

Argel-de-Oliveira, M. M., 1996. Os beija-flores brigões. Globo Ciência, 5(59): 17. (seção Sem Dúvida)

 

 

 

 

Os beija-flores brigões

 

 Maria Martha Argel de Oliveira

 

Gostaria de receber informações sobre a vida dos beija-flores, as espécies, de que se alimentam, por que bebem tanta água açucarada, onde fazem ninho e por que são tão brigões com outros da mesma espécie, impedindo-os de se aproximar do bebedouro.

Raphael de Oliveira

Taquaral, RJ

 

 

Os beija-flores, aves apodiformes da família dos troquilídeos, formam um grupo com mais de 320 espécies, das quais 85 existem no Brasil. Exclusivos do continente americano, são encontrados desde o Alasca até a Terra do Fogo, com a maior parte das espécies habitando as regiões tropicais. Os beija-flores são animais endotérmicos, ou seja, seu próprio corpo produz o calor de que necessitam para viver. Mas devido a seu pequeno tamanho e ao enorme gasto de energia no seu vôo, precisam de muita energia para manter a temperatura corpórea ideal. Por isso,devem consumir constantemente uma quantidade muito grande de alimentos energéticos, especialmente carboidratos. A isso se deve a atividade frenética e a constante visitação a flores e garrafas de água açucarada.

 

O néctar é um dos itens mais importantes de sua dieta. Quando está diante de uma flor, o beija-flor alcança, com seu longo bico, os nectários, situados no fundo da corola, e sorve a substância adocicada produzida neles. Pequenos insetos também são ingeridos. Eles são capturados dentro da corola das flores, recolhidos da superfície de folhas e galhos ou durante o vôo. A necessidade contínua de energia faz com que os beija-flores se garantam contra sua escassez ou falta, defendendo com tenacidade as boas fontes de alimentos que existem em seu território.

 

Entre os beija-flores brasileiros há vários tipos de ninhos. Os mais fáceis de encontrar são pequenas tigelas construídas com paina e teias de aranha e revestidas por fora com pedaços de folhas e liquens, fixadas sobre forquilhas, ramos horizontais ou pendentes. Muitas espécies florestais constroem ninhos com uma cauda pendente, que são fixados a folhas de palmeiras ou às raízes finas existentes embaixo de barrancos. As espécies que constroem sob barrancos às vezes fazem seus ninhos dentro de casas abandonadas, usando como suporte fios elétricos que pendem do teto.

 

Fonte: Maria Martha Argel de Oliveira, ornitóloga, doutoranda em Ecologia na Universidade Estadual de Campinas

 

 

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