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Citação bibliográfica

 

Argel-de-Oliveira, M. M., 1997. Aves que vivem voando em V. Globo Ciência, 6(68): 18-19. (seção Sem Dúvida)

 

 

 

 

Aves que vivem voando em V

 

 Maria Martha Argel de Oliveira

 

Por que algumas aves, quando voam em bando, formam um ‘v’ no céu?

Wilson Mello da Silva

Rio de Janeiro, RJ

 

 

A maioria dos ornitólogos, estudiosos de aves, acredita que o vôo em V ou vôo em formação propicia às aves economia de energia. Uma ave que voa para a frente, ao bater as asas deixa atrás de si um redemoinho de ar ascendente, e esse ar que está subindo sustenta a ave de trás, que não precisa fazer tanta força com suas asas quanto a anterior. Algumas espécies gregárias, ou seja, aquelas que costumam viver em grupos, aproveitam esse fenômeno. Assim, elas se posicionam estrategicamente uma atrás da outra para que as asas de cada uma recebam a corrente de ar sustentadora produzida pelas pontas das asas da ave que a precede. Dessa forma, cada integrante a formação, com exceção do que vai à frente, economiza energia. As aves se revezam para ocupar a primeira posição do V, já que, como o líder é o que se cansa mais, com o passar do tempo tende a perder velocidade e automaticamente fica para trás, sendo substituído pela ave que vinha logo após ele. Entretanto, alguns cientistas não concordam com essa teoria. Segundo eles, filmes de gansos em vôo mostraram que não existe sincronia perfeita entre o batimento de asas de aves adjacentes. Para esses pesquisadores, o vôo em formação serviria apenas para manter as aves em contato visual e evitar colisões. No Brasil, em especial no Rio Grande do Sul, é comum ver patos em formação, além de curicacas e tapicurus. O biguá, espécie comum em todo o país, também faz isso, e até mesmo em cidades movimentadas como São Paulo é possível avistar vês formados por seus bandos.

 

Fonte: Maria Martha A. de Oliveira, ornitóloga, doutoranda em Ecologia na Universidade de Campinas.

 

 

Nota da autora: este foi o último artigo que concordei escrever para a Globo Ciência. Em primeiro lugar, porque acho errado que uma publicação comercial “encomende” textos aos pesquisadores sem remunerá-los pelo material que, ao estar presente nas páginas da revista, dá a ela alguma credibilidade. Segundo, porque não suporto a idéia de servir como veículo a divulgação de imprecisões. Embora eu tenha tentado diligentemente evitar qualquer informação equivocada, exigindo que a última revisão do texto acima fosse minha, os editores encontraram uma forma criativa de infiltrar uma besteira no artigo: ao adicionarem a ilustração ao texto, não checaram a exatidão da legenda. Assim, embora leia-se Biguás voando em formação,  quem cruza o céu do entardecer na bela foto de autoria de José Sabino é um bando de 32 íbises (Ciconiiformes, enquanto os biguás são Pelecaniformes)...  Eu desisti. Espero que outros continuem lutando.

 

 

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