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Citação bibliográfica

 

Argel-de-Oliveira, M. M., 1990. Métodos de captura de presas animais pelo sabiá-do-campo (Mimus saturninus) (Passeriformes, Mimidae). p.171. In: Congresso Brasileiro de Zoologia, 17, Londrina, 1990. Resumos. Londrina.

 

 

 

 

Métodos de captura de presas animais pelo sabiá-do-campo

 (Mimus saturninus) (Passeriformes, Mimidae)

 

M. M. Argel-de-Oliveira1

  

Existem várias menções, na literatura, à composição da dieta de Mimus saturninus, mas em local algum são descritos os métodos que a espécie utiliza para a coleta de alimento. O presente estudo visa determinar as formas pelas quais a espécie captura as presas animais que, ao lado de frutos e outras estruturas vegetais, integram sua dieta. Durante o trabalho de campo, realizado de agosto de 1983 a janeiro de 1986, nos municípios de São Paulo, São Manoel, Campinas e Cabreúva (SP), foram observados os seguintes padrões comportamentais relacionados à coleta de animais: 1. captura no terreno, durante deslocamento; 2. captura no terreno, partindo de poleiro; 3. captura de presas aladas em vôo, partindo de poleiro; 4. captura em plantas, enquanto empoleirado; 5. captura de presas aladas em vôo, partindo do terreno. Tal repertório comportamental permite o aproveitamento de vários grupos de presas, como os organismos epígeos, os insetos alados e a fauna que vive sobre a vegetação herbácea e sobre galhos e folhagem de arbustos e árvores. A ausência de determinados padrões de comportamento impossibilita a exploração de alguns grupos: a ave não ''cisca'', não predando, assim, animais que vivem sob o folhiço; tampouco retira a casca de árvores para capturar a fauna aí existente e nem está comportamentalmente adaptada para coletar animais associados ao ambiente aquático. O repertório de captura de presas animais de M. saturninus pode ser encarado como próprio para permitir a exploração de ambientes com estrato herbáceo extenso e estratos arbustivo-arbóreo esparsos, como é o caso de cerrados, campos, caatingas e restingas, ambientes originais da espécie, e das vegetações antrópicas por ela colonizadas (pastos, parques).

1 - Pós-graduação em Ecologia, Inst. de Biologia, UNICAMP

 

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