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Citação bibliográfica

 

Marcondes-Machado, L. O., Argel-de-Oliveira, M. M. & Monteiro-Filho, E. L. A., 1989.  Ocorrência do guará, Eudocimus ruber (Ciconiiformes, Threskiornithidae), no litoral de São Paulo. p.12-13.  In: Encontro Nacional de Anilhadores de Aves, 5, Brasília, 1989.  Resumos.  Brasília.

 

 

 

 

 

Ocorrência do guará, Eudocimus ruber (Ciconiiformes, Threskiornithidae),

no litoral de São Paulo

 

 

Marcondes-Machado, L. O., Argel-de-Oliveira, M. M. & Monteiro-Filho, E. L. A.

   

 

A distribuição de E. ruber originalmente abrangia os manguezais de toda a costa oriental sul-americana, da Colômbia a Santa Catarina, excetuando-se, aparentemente, a região entre Piauí e Espírito Santo. Na costa do Brasil, a espécie parecia estar restrita atualmente ao Amapá, Pará e Maranhão. É citada várias vezes, até inícios do séc. XIX, para a costa meridional, mas o último avistamento de bandos ocorreu por volta de 1930. Recentemente, porém, três indivíduos foram avistados no Paraná (1977). Os registros conhecidos para o Estado de São Paulo remontam ao século XVI, sendo de autoria de Hans Staden (1557) e do Pe. José de Anchieta (1560); apenas em 1986 há um novo relato, desta vez um possível avistamento. Nos dias 23 e 24  de janeiro de 1989, durante as atividades do projeto de levantamento faunístico de Cubatão (Convênio COSIPA/IPH-USP), foi observado um bando de E. ruber com cerca de 100 indivíduos nos manguezais do complexo estuarino de Santos, no município de Cubatão. Nos primeiros contatos visuais, o bando sobrevoava a região. Posteriormente as aves foram encontradas alimentando-se no lodo exposto pela maré baixa. Foram localizados dois ninhos, um deles em utilização por um casal. Na região, os principais riscos enfrentados pela espécie são a destruição do mangue para a implantação de projetos industriais e habitacionais e os altos índices de poluição da água por metais pesados e agrotóxicos. Há ainda o risco de caça pela população local e mesmo captura para fins comerciais. A sobrevivência desta população tem valor inestimável, não só do ponto de vista zoogeográfico mas também para a preservação da espécie, que enfrenta acentuado declínio populacional mesmo nas áreas onde é mais comum.

 

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