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Citação bibliográfica

 

Argel-de-Oliveira, M. M., Lo, V. K., Develey, P., Buzzetti, D. R. C. & Marcondes-Machado, L. O., 1993.  O status atual do guará (Eudocimus ruber) no Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil. Painel 64. In: Congresso Brasileiro de Ornitologia, 3, Pelotas, RS, 1993.  Resumos. Pelotas, Universidade Católica de Pelotas, Sociedade Brasileira de Ornitologia.

 

 

 

 

 

O status atual do guará (Eudocimus ruber)

no Estado de São Paulo, Sudeste do Brasil

   

Argel-de-Oliveira, M. M., Lo, V. K., Develey, P., Buzzetti, D. R. C. 

& Marcondes-Machado, L. O.

 

  Embora considerado virtualmente extinto no Brasil Meridional, o guará (Eudocimus ruber) tem sido registrado co alguma regularidade no Estado de São Paulo desde meados da década passada. A presente comunicação reúne os dados disponíveis sobre sua ocorrência recente no Estado, apresentando algumas informações sobre sua reprodução no local e as ameaças que enfrenta.

Registros esparsos, referentes a Itanhaém (24o11’S – 46o48’W) (1988) e a Iguape (24o41’S – 47o33’W) (1988 e 1992) dão conta da presença de pequenos grupos ou de indivíduos isolados, inclusive, segundo BOKERMANN & GUIX (ENAV, 6. Resumos. 1990. p.42) com indícios de atividade reprodutiva. No entanto, a grande maioria dos registros se deu na região de Santos / Cubatão (23o54’S – 46o23’W), onde grupos numerosos são vistos desde 1984. O número máximo de aves avistadas foi de cerca de 160, separadas em dois grupos grandes e dois pequenos (1992). Entre out.1992 e abr.1993 foram feitas 11 visitas à região entre Santos e Bertioga. E. ruber foi observado em 9 delas, sempre em uma área relativamente pequena, próxima à COSIPA e à ULTRAFÉRTIL.

Em um trecho alterado de manguezal adulto, à beira do rio Morrão, foi localizado, em dez. 1992, um ninhal com aves em diferentes estágios do processo de reprodução. Em árvores com no máximo 5  de altura, foi vista ao menos uma ave incubando e filhotes movendo-se entre a folhagem; foram vistos no ninhal cerca de 100 indivíduos, a maioria com plumagem adulta. É interessante mencionar a presença, sob o ninhal, de inúmeros Caiman latirostris, que provavelmente se alimentam dos filhotes caídos dos ninhos. Em fevereiro ainda havia muitos guarás no local, o que não foi observado nos meses seguintes.

Pelos problemas ambientais que apresenta, a região de Santos / Cubatão é alvo de constante atenção por parte de entidades governamentais e ONGs. Isso reduz o risco de algumas agressões ao ambiente, como o desmatamento e a ocupação dos manguezais onde E. ruber tem sido visto. No local, a caça “esportiva” ou para alimentação parece não ameaçar a espécie, principalmente pela dificuldade de acesso. A visitação humana, praticamente inexistente, não perturba o ninhal. Alguma perturbação a aves que se alimentam na beira dos canais pode advir da passagem de pequenas embarcações. Por outro lado, algumas ameaças concretas devem ser citadas. A poluição térmica foi constatada no rio Morrão, que recebe a água usada no resfriamento do aço pela COSIPA. No rio Cubatão, em cuja foz E. ruber já foi visto, o nível de metais pesados (Cu, Zn, Cd, Hg, Pb) é expressivo podendo superar os considerados permissíveis. Não se sabe se na região tem ocorrido a captura da ave para manutenção em cativeiro, mas é sugestivo ter sido vista uma ave adulta, com o colorido de um animal selvagem, nas mãos de um comerciante paulistano, na década de 80.

O estudo e a proteção da população de E. ruber da Baixada Santista é da máxima importância, uma vez que esta é atualmente a única população reprodutivamente ativa conhecida no Brasil Meridional.

 

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