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Citação bibliográfica

 

Argel-de-Oliveira, M. M., Scardua, C. E. & Paccagnella, S.G., 1993.  Ocorrência da saíra-sapucaia (Tangara peruviana) (Passeriformes, Traupinae (sic)) no Estado do Espírito Santo. Painel 18. In: Congresso Brasileiro de Ornitologia, 3, Pelotas, RS, 1993.  Resumos. Pelotas, Universidade Católica de Pelotas, Sociedade Brasileira de Ornitologia.

 

 

 

 

Ocorrência da saíra-sapucaia (Tangara peruviana)

(Passeriformes: Traupinae) no estado do Espírito Santo

 

M. M. Argel-de-Oliveira*, C. E. Scardua** & S. G. Paccagnella**

  

A saíra-sapucaia (Tangara peruviana) é um traupíneo endêmico à faixa costeira do sudeste brasileiro. Embora para alguns autores seja coespecífico com Tangara preciosa, a maior parte da literatura considera as duas formas como espécies distintas. É habitante das restingas, de matas primárias e secundárias. Existem também registros para cidades e parques urbanos (Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro).

Collar et al. (Threatened birds of the Americas: the ICBP/IUCN Red Data Book) consideram que a espécie esteja sob ameaça, uma vez que a maioria dos registros recentes referem-se a restingas de São Paulo e Rio de Janeiro, e tais ambientes sofrem acelerada destruição.

Ruschi (1953, Bolm Mus. Biol. Prof. Mello Leitão, sér. Zool, 11) assinalou sua ocorrência para o Estado do Espírito Santo mas, posteriormente, apenas Meyer de Schauensee (1970, The birds of South America) aceitou seu registro, como admitem Collar et al. (1992). Para esses autores, Campos (RJ) é a localidade mais setentrional para a espécie. Embora nas principais coleções ornitológicas do sudeste brasileiro (MNRJ, MZUSP e MHNCI) existam exemplares provenientes do Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná, não há qualquer material que proceda do Espírito Santo, nem mesmo na coleção do MBML.

Nos levantamentos avifaunísticos realizados periodicamente pela equipe de fauna da Empresa Aracruz Celulose S.A., desde 1989 houve quatro registros da espécie nos municípios capixabas de Aracruz (latitude 39o55’S e longitude 40o09’W) e Conceição da Barra (latitude 18o31’S e longitude 39o44’W).

As aves foram observadas e/ou capturadas nos meses de inverno em ambientes de restinga arbustiva, borda de mata de restinga e ecótono entre mangue e floresta de tabuleiro em regeneração.

Por se tratar de espécie considerada endêmica e ameaçada, é relevante ressaltar que os locais desses registros são áreas da Empresa consideradas como de preservação permanente, assegurando assim a proteção desta espécie nestes locais. Esta espécie parece ser migratória. Entretanto, embora esta população possa estar protegida no seu local de invernada, é necessário que se garanta sua proteção também nos habitats onde se reproduz nos meses de verão.

 

* Departamento de Zoologia, IB, UNICAMP - Bolsista CAPES, com auxílio da FMB e da Aracruz Celulose S.A.

** Aracruz Celulose S.A. - Diretoria Florestal - Gerência de Recursos Ambientais  

 

 

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